No outro dia o meu marido disse-me que parecia que tinha inveja dele.
Inveja.
Será?
Sim, tenho inveja que ele faça uma vida por todo o lado e que chegue a casa e seja o último sitio que quer estar.
Não sou uma gaja bonita, ainda para mais estou a ficar velha, que isto do tempo passa para todos, mas sou uma mulher interessante.
Nunca fiz amizade com um homem que não tenha tentado tirar uma casquinha (sim, eu sei, é a todas), mas eles sabem que não sou complicada e dizem-me que tenho ar que "fresca" (whatever that means...)..
Tive os que quis, e ainda hoje sei que posso ser assim. Mas fiz uma escolha na vida, a família. E não acho compatível com aventuras.
Talvez o meu erro seja esse. Quero por todos os ovos no mesmo saco (o marido), e talvez tenha sido isso que estragou o casamento.
Posso sair daqui, nesse minuto, fazer um telefonema e daqui a meia hora estou numa manhã de luxúria com um gajo que eu escolher. E depois volto para casa e faço como se nada fosse. Que está tudo bem, que é só mais um dia igual ao de ontem ou ao de amanhã.
Porque não?
Porque é que eu não faço isso, e me perco aqui em pensamentos idiotas de relações com amor, e desejos de ser feliz com uma só pessoa?
Serei eu só mesmo estúpida?
Ainda se se dissesse que o meu maridinho é o mais fiel dos homens, um companheiro, amigo, pai exemplar.. mas não. É exactamente o oposto de tudo isto.
Foi o homem que eu deixei que acabasse comigo. E continuo a deixar.
E é por isso que tenho de deixar de acreditar que, quem um dia se mostrou ser o meu príncipe encantado, é afinal apenas um sapo que só me quis arrastar para o fundo do lago...
Acorda Concha, acorda.
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